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As mulheres são exceção na alta gestão das empresas

Por Marcio Roberto da Silva, professor dos MBAs da FGV

O mundo tem passado por mudanças rápidas em todos os aspectos e, nos negócios, isso não é diferente. No entanto, alguns fatores ainda caminham como certa morosidade. Em dezembro de 2013, a revista “Época Negócios” revelou uma pesquisa que retrata um fenômeno interessante sobre os presidentes de empresas. A pesquisa foi realizada com 120 executivos de empresas que possuem ações na bolsa de valores.

São vários os fatores que chamam atenção na pesquisa, como escolaridade, idiomas, tempo de voo, salários, bônus e até hobbies desses profissionais. Mas, um detalhe chama atenção: dos 120 executivos entrevistados, apenas cinco são mulheres – ou seja, 4,2%. Esse fenômeno chama atenção de tal maneira que a diretora do Facebook, Sheryl Sandberg defende em seu livro, intitulado “Vamos em Frente”, a ideia de que as mulheres não ocupam os cargos de liderança em maior volume porque não pensam como os homens.

Realmente, trata de uma questão muito polêmica e que nos remete a algumas reflexões – entre elas, talvez uma das mais relevantes seja: por que as mulheres não ocupam mais cargos de liderança no Brasil e no mundo? O que explica esse fenômeno?

Um dos discursos mais apresentados trata da evolução histórica da mulher no mercado de trabalho, fenômeno relativamente novo, já que a mulher, até os anos 1900, não tinha nem mesmo direito ao voto. Seu papel era cuidar da família e trabalhar fora era “afrontar” a sociedade.

Outro fator relevante quando o assunto é mulher nos altos cargos executivos são seus compromissos como esposa, mãe e filha. É sabido que a mulher se desdobra para enfrentar um dia cheio de cobranças na empresa e em casa – ou seja, filhos e maridos exigem cuidados especiais e cobram isso. Nesse sentido, o homem tem o mesmo grau de cobrança? Será que esse é o principal fator que leva as empresas a optarem pelos homens em seus cargos executivos, já que esses cargos exigem muitas viagens e reuniões fora de hora, em especial sem programação, já que o mercado é cada vez mais dinâmico? Acredita-se que não, já que as competências profissionais, independente do sexo, têm sido foco de muitas empresas como Facebook, Yahoo, SABESP e Petrobras, que têm, na alta direção – em especial, na presidência –, mulheres altamente preparadas.

Diante desse fenômeno, onde, de um lado, existe a discussão sobre poucas mulheres em cargos de alta gestão e, do outro, a possível falta de oportunidades, é fundamental levar algo em consideração que é pouco discutido: as mulheres ocupam um espaço menor nos cargos de alta gestão devido à falta de oportunidade? Ou pelo fato de elas mesmas não aceitarem os convites ou não se planejarem para isso em detrimento de algo que poucos homens aceitariam, que é cuidar da família e das pessoas que são importantes em nossas vidas?

Vale refletir sobre essa questão, já que um dos maiores desafios das empresas é conseguir mulheres que estejam pré-dispostas a abrir mão de algo que, para elas, é muito mais importante que a carreira executiva. Sem dúvida, aí está um grande desafio para as empresas e para essas verdadeiras heroínas, que são capazes de conduzir esses dois mundos: vida pessoal e vida profissional.

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