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Os 20 anos do Plano Real e a viabilidade de projetos

Por Sérgio Moschioni, professor dos MBAs da FGV

Recentemente, comemoramos 20 anos do lançamento do Plano Real. Este plano, independente de ideologias e partidos políticos, foi o responsável por estabilizar a economia de nosso país, domando a inflação que, antes, atingia patamares elevadíssimos para índices aceitáveis a uma economia de um país considerado saudável.
 
Além do controle da inflação, o plano trouxe benefícios como o aumento de nossa credibilidade no cenário internacional.
 
Mas, qual é a relação entre este fato e a gestão de projetos?
 
Antes de termos a estabilidade da moeda, tínhamos uma incerteza muito alta em qualquer investimento que pudesse ser feito em nosso país. Esta condição, aliada à falta de credibilidade de nossa economia, afugentava a maior parte das empresas, países ou outros patrocinadores que tinham intenções em investir na cadeia produtiva. E os poucos que se aventuravam aceitavam este ambiente de altíssimo risco em troca de enormes lucros. Ou seja: se fosse para investir seria para ganhar muito e, por isso, uma grande quantidade de projetos passavam a ser inviáveis, pois não entregavam os lucros desejados para seus investidores.
 
Após o Plano Real, a estabilidade foi aos poucos se tornando uma realidade, os riscos foram se minimizando e nossa credibilidade aumentando. Os investimentos estrangeiros aumentaram ano a ano devido a este cenário e, também, por causa do grande potencial de nosso mercado de consumo interno.
 
E, desta maneira, a viabilidade dos projetos passou a ser fator decisivo neste cenário.
 
Antigamente, os projetos eram conduzidos sem controle nenhum sobre sua viabilidade, visto que o cenário não permitia traçar qualquer estimativa, nem mesmo de curto prazo.
 
Hoje, graças ao Plano Real, temos um cenário mais estável que nos permite ter estimativas de médio prazo e, em alguns casos, de longo prazo.
 
Mas, todos os projetos passam por um estudo de viabilidade? Em alguns casos isso não é possível. Por exemplo: há casos em que o ganho é subjetivo, como um projeto de uma pesquisa de satisfação de um produto. Neste caso, a empresa fará investimentos e não terá dados diretos para mensurar a eficácia desta pesquisa.
 
Há também os projetos que, financeiramente, são inviáveis, mas a empresa decidirá executá-los. É o caso de projetos como a nota fiscal eletrônica (uma exigência do Governo) ou algum projeto vinculado à estratégia da empresa.
 
E temos, logicamente, os projetos que podem ter sua viabilidade analisada de maneira objetiva. Neste caso, usamos indicadores financeiros de mercado, como taxa interna de retorno (TIR), retorno sobre o investimento (ROI), pay back, entre outros. Considerando-se as estimativas da empresa (tanto de receita quanto de custos) e usando a taxa mínima de atratividade que a empresa deseja, poderemos realizar o estudo de viabilidade para auxiliar na tomada de decisão.
 

Neste contexto, um dos dados que mais traduzem a influência da estabilidade da nossa economia é a taxa mínima de atratividade (TMA). A TMA inclui o fator risco que a empresa pode assumir e, como o ambiente era muito incerto, esta taxa era muito alta, inviabilizando qualquer projeto. Sendo assim, este é o grande benefício prático que o Plano Real trouxe à gestão de projetos: estabilizar a economia e favorecer a viabilidade dos investimentos, incentivando a chegada de investidores internos e externos. Portanto, para manter esses investimentos e, certamente, melhorar a distribuição de renda em nosso país, devemos ser vigilantes com a questão da estabilidade de nossa moeda.

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